Pilar valores
Anos depois, colocou o salário inteiro na mão do marido recém-demitido e disse uma palavra só. Esta é a história de Paty Ivo, antes e além da empresa.

01 · 15 anos
Paty tinha 15 anos quando começou a vender doce na rua. Não era projeto de jovem empreendedora. Era necessidade.
Quando via alguém conhecido chegando, ela se escondia. Atravessava, sumia, esperava passar. Vender era o que precisava ser feito. Ser vista fazendo aquilo era outra coisa. Ela continuou vendendo.
Começar com vergonha ainda é começar.
02 · 16 anos
Um ano depois, ela estava numa loja de sapatos. Aos 16, já era a segunda melhor vendedora da equipe.
Ninguém ali sabia da menina que se escondia na rua. Mas o que apareceu no balcão foi exatamente o que a rua tinha construído: ouvir antes de falar, insistir sem constranger, receber o não e voltar no dia seguinte.
A rua não foi o obstáculo. Foi o treino.

03 · A vida a dois
Paty e Fred viraram parceiros de vida muito antes de virarem parceiros de negócio. Casa, filhos, contas, planos: tudo passou a ser decidido junto.
E toda decisão de dois tem um momento em que alguém precisa ir primeiro. Normalmente ele chega sem avisar.
Antes de qualquer sociedade, existe uma aliança.
04 · 2015
Não era um mês qualquer para ficar sem salário. Era mês de montar quarto de bebê, de contar dia no calendário, de precisar de chão firme como nunca.
Paty pegou o salário inteiro dela. Colocou na mão dele. E disse uma palavra: vai. Sem discurso, sem plano B anunciado.
Fé, ali, não foi sentimento. Foi um envelope na mão do outro.

05 · Os anos seguintes
O que veio depois daquele vai não foi virada de filme. Foram anos. Paty criou cinco filhos enquanto sustentava, junto com Fred, a construção da empresa que hoje é a 6P Condo.
Sustentar, aqui, tem os dois sentidos. O financeiro, nos meses em que a empresa ainda não pagava ninguém. E o outro, o de segurar em pé quando o de fora não vê e o de dentro cansa.
Atrás de quase toda empresa em pé, tem alguém segurando a base.
06 · Hoje
Não tem fórmula nisso. Tem escolha repetida por muito tempo, quase sempre num dia ruim, quase sempre sem plateia.
Hoje Paty mentora empreendedoras justamente por causa dessa parte: a que não aparece no resultado, mas explica ele inteiro.

- primeiro negócio, vendendo doce na rua
- 15 anos
- primeiro negócio, vendendo doce na rua
- segunda melhor vendedora da loja de sapatos
- 16 anos
- segunda melhor vendedora da loja de sapatos
- criados durante a construção da empresa
- 5 filhos
- criados durante a construção da empresa
A gente não cresceu porque rezava. A gente cresceu porque rezava e depois trabalhava como se tudo dependesse só de nós.
Fé sem obra é ilusão.
Todo dia a gente conversa sobre o mercado condominial do mesmo jeito que aprendeu a viver: sem rodeio, com o que foi vivido de verdade.